Operação contra o PCC mira "bancos paralelos" na Faria Lima e fraude de R$ 200 milhões em combustíveis



 Uma grande ação conjunta entre o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Receita Federal foi deflagrada com o objetivo de desmantelar um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro e fraudes fiscais operado pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. A ofensiva policial cumpre 59 mandados de busca e apreensão distribuídos por cinco estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A operação representa um desdobramento direto da "Operação Carbono Oculto". O foco principal das autoridades centra-se agora na atividade de seis novas fintechs (instituições de pagamento eletrônico) que funcionavam na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, o coração financeiro de São Paulo, atuando como verdadeiros "bancos paralelos" para ocultar a origem ilícita dos fundos da organização criminosa.

A "Máfia do Nafta" e Empresas-Fantasma De acordo com os investigadores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o esquema baseava-se no desvio e utilização ilegal de nafta petroquímica — um solvente derivado do petróleo — para a adulteração de gasolina vendida diretamente aos consumidores em postos de abastecimento.

Para viabilizar a fraude e fugir do fisco, a rede criminosa constituía empresas-fantasma, registradas predominantemente em estados das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Essas pessoas jurídicas eram abertas de forma fraudulenta recorrendo a "laranjas", que incluíam familiares dos suspeitos, cidadãos em situação de extrema vulnerabilidade social e até indivíduos que se encontram atualmente detidos em estabelecimentos prisionais. A Receita Federal estima que este mecanismo de adulteração e evasão fiscal tenha provocado uma sonegação de impostos superior a R$ 200 milhões nos últimos dois anos.

Ocultação de Capitais no Mercado Financeiro Os lucros gerados pelos postos de combustíveis e distribuidoras controladas pelo esquema eram reencaminhados para o circuito financeiro formal. Os capitais eram injetados em quatro fundos de investimento específicos, desenhados para ocultar a identidade dos reais beneficiários do PCC. Os investigadores apuraram que estes quatro fundos de investimento detêm um patrimônio conjunto avaliado em R$ 205 milhões, tendo registrado um crescimento patrimonial abrupto e suspeito acima dos 200% em apenas um ano.

A operação mobiliza uma vasta estrutura de fiscalização do Estado brasileiro, contando com o apoio operacional da Agência Nacional do Petróleo (ANP), das Secretarias de Fazenda estaduais, da Procuradoria-Geral do Estado e das forças da Polícia Militar e Polícia Civil.

Fonte: Dados oficiais divulgados em coletiva de imprensa pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e relatórios de auditoria fiscal da Receita Federal do Brasil.

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