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Justiça paulista determina prisão de jornalista perseguido por Carla Zambelli

 



​A Justiça de São Paulo determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo por não efetuar o pagamento de valores devidos à ex-deputada Carla Zambelli (PL). A decisão decorre de uma condenação por difamação movida pela ex-parlamentar contra o profissional.

​Os valores exigidos somam R$ 2.216,30, montante que engloba uma multa penal e uma prestação pecuniária. O processo teve origem após o jornalista publicar um texto afirmando que Zambelli “faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”. Em 2022, na véspera das eleições, Luan Araújo ganhou repercussão nacional ao ser perseguido pela então deputada, que empunhava um revólver em uma rua de São Paulo.

​Na decisão publicada na última segunda-feira (1º/6), o juiz José Fernando Steinberg justificou a medida apontando que o condenado não cumpriu a prestação pecuniária estipulada, convertendo assim a pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade, em conformidade com o Código Penal.

​Defesa alega falta de condições financeiras

​Em declaração, o advogado Renan Bohus, responsável pela defesa de Luan Araújo, informou que já havia apresentado uma petição detalhando que o jornalista não possui condições financeiras para arcar com o valor, tendo solicitado formalmente o parcelamento do débito.

​A defesa manifestou estranheza com o indeferimento do pedido e a subsequente conversão em prisão, argumentando que a incapacidade econômica do jornalista foi devidamente comprovada. Diante do despacho, os advogados informaram que pretendem protocolar um pedido de habeas corpus, sustentando que a falta de recursos não deve resultar em encarceramento e que a execução penal precisa respeitar a realidade financeira do apenado.

​Condenações e histórico de Carla Zambelli

​Enquanto o jornalista enfrenta a ordem de detenção em regime aberto por questões financeiras, Carla Zambelli acumula condenações severas na esfera judicial brasileira:

  • Caso do porte de arma: Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal justamente em virtude do episódio de perseguição contra o jornalista.
  • Invasão de sistemas: A ex-parlamentar possui ainda uma condenação anterior de 10 anos de prisão, em regime inicial fechado, decorrente de sua participação na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

​Em julho do ano passado, Zambelli chegou a ser presa em um apartamento em Roma, na Itália, por figurar na lista vermelha da Interpol devido a um apontado "grave risco de fuga". Contudo, em 22 de maio, a Justiça italiana anulou o processo de extradição da ex-deputada, resultando em sua soltura.

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