Presidente Lula sobe o Tom contra Donald Trump
Em um discurso inflamado realizado nesta sexta-feira (29) em Laranjeiras, Sergipe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu duramente à decisão do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
Defendendo a soberania nacional, Lula deixou claro o seu descontentamento com a postura americana e com a interferência externa em assuntos de segurança pública brasileira. "Quer combater o crime organizado? Vamos combater. Mas nós não aceitamos ser tratados como moleque. Nós não precisamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta", declarou o presidente.
Soberania e respeito diplomático
Durante o evento, Lula subiu o tom para exigir um tratamento igualitário por parte de Washington. "Eu trato um país pequeno com o mesmo respeito que eu trato a China, a Rússia e os Estados Unidos. Não falo grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos. Eu quero respeito. Não brinquem com a soberania desse país, não brinquem com a nossa democracia", enfatizou, sob aplausos do público.
"Os terroristas que o Trump quer"
O presidente brasileiro concordou que as facções causam terror nas comunidades e devem ser implacavelmente combatidas pelo Estado, mas rejeitou a classificação de terrorismo internacional aplicada pelos EUA, apontando uma certa hipocrisia na relação entre os dois países.
"Eles não são o terrorista que o Trump quer. O Trump quer um Osama Bin Laden. E nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá", afirmou Lula. Ele aproveitou o momento para cobrar a extradição de criminosos, sonegadores e contrabandistas brasileiros que atualmente vivem foragidos e lavando dinheiro em solo americano, citando estados como Flórida (Miami) e Delaware. Além disso, destacou que grande parte do armamento clandestino que fortalece o crime organizado no Brasil vem justamente dos Estados Unidos.
Críticas à oposição
O discurso também serviu para alfinetar duramente a oposição brasileira. Lula criticou de forma veemente políticos, como o senador Flávio Bolsonaro, que viajaram recentemente aos EUA para articular e comemorar a medida do governo Trump. Sem meias palavras, o presidente classificou a atitude como uma falta de vergonha e uma verdadeira traição à pátria ao pedir intervenção estrangeira no Brasil.
Fonte: Com informações da CNN Brasil, Folha de S.Paulo e Agência Brasil.
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