Copel sob fogo cruzado: falhas de energia geram rombo de R$ 1 bilhão no polo industrial de Ponta Grossa
As sucessivas oscilações no fornecimento de energia elétrica ameaçam a competitividade das empresas nos Campos Gerais. O setor cobra soluções, enquanto a concessionária defende que o serviço está dentro dos limites regulatórios.
O polo industrial de Ponta Grossa, um dos mais importantes do interior do Paraná, vive um embate direto com a Copel devido à instabilidade na rede elétrica. Um levantamento recente do Núcleo das Indústrias 30+, ligado à Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), estima que os prejuízos gerados por falhas no abastecimento chegaram perto da marca de R$ 1 bilhão em 2025.
A região abriga gigantes dos setores alimentício, metalmecânico, papeleiro, químico e logístico, e funciona como um eixo fundamental de escoamento da produção do estado. No entanto, a infraestrutura elétrica tornou-se o principal gargalo local, superando até mesmo problemas de mobilidade urbana e logística estrutural.
O preço da automação no escuro
O impacto das quedas e oscilações de energia tomou uma proporção crítica devido ao alto nível de automação das fábricas atuais. Segundo Leonardo Puppi Bernardi, presidente da Acipg, qualquer mínima variação na rede obriga a paralisação das linhas de produção, gerando não apenas atrasos operacionais, mas também a queima de maquinários caros e ociosidade de funcionários.
Até o momento, 25 indústrias formalizaram relatórios detalhando os danos. Entre os casos mais emblemáticos estão:
- Tetra Pak: A multinacional contabilizou o equivalente a 15 dias inteiros sem energia elétrica ao longo do ano de 2025, precisando acionar pesadas manobras de gestão interna para não deixar seus clientes sem abastecimento.
- Metalúrgica Hübner: Especializada em fundição e usinagem pesada, a empresa relatou perdas de R$ 600 mil em um único ano. O proprietário, Nelson Hübner, destacou que o problema persiste mesmo após a fábrica investir recursos próprios para tentar proteger seus equipamentos modernos contra as falhas da rede externa.
Pressão em Brasília e a resposta da Copel
Diante da gravidade da situação, lideranças da Acipg, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e empresários locais levaram o problema a Brasília em março deste ano. A comitiva cobrou intervenções da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e de parlamentares da Comissão de Infraestrutura do Senado.
Pressionada, a Copel participou de uma reunião técnica no mês seguinte para apresentar seu planejamento. Em nota, a concessionária de energia defendeu-se apresentando as seguintes justificativas e medidas:
- Investimentos: A empresa afirma ter R$ 36,3 milhões em investimentos em andamento em Ponta Grossa para 2026, focados na expansão, automação e modernização da rede, além de novas subestações.
- Limites Regulatórios: Segundo a Copel, qualímetros instalados em clientes de alta demanda indicam que o fornecimento de energia na região permanece "dentro dos limites regulatórios", sugerindo que as empresas também precisam realizar melhorias em suas instalações elétricas internas.
- Alta Tensão: A concessionária esclareceu que grande parte das indústrias afetadas opera em média tensão, que é mais vulnerável. A recomendação técnica da Copel para fábricas com demanda superior a 2,5 megawatts é que migrem para o atendimento em alta tensão, construindo subestações próprias.
Fonte: Matéria original escrita por Patrícia Biazetto (Especial para a Tribuna PR), com edição de Jones Rossi. Publicada originalmente na Tribuna PR em 29/05/2026.
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